Qual o seu nome completo, idade, quantos anos é missionário, esteve em outras missões e a quanto tempo está em Burkina?

Me chamo Paolo Motta, tenho 52 anos e sou missionário há 31. Vivi muitos anos da minha vida missionária na Itália e há 6 anos na Costa do Marfim. Agora estou em Burkina Faso há um ano.


Qual foi a sua expectativa em relação a missão quando foi designado a ir?

Fiquei muito feliz de ter sido enviado para este país, que é um dos mais pobres do mundo, se encontra nos últimos cinquenta lugares na classificação mundial do índice de desenvolvimento humano. Ao mesmo tempo, sabendo que me encontrava no meio de um povo muito persistente, que luta contra a seca e que extrai o alimento de uma terra aparentemente árida, tive a convicção de que, juntos a eles, poderíamos trilhar o caminho de um desenvolvimento sustentável. O fato, depois, que a língua usada pela maioria seja o moore, sua língua local e não dos colonizadores, me deu o entusiasmo de mergulhar em uma outra cultura e em um outro modo de se expressar, diferente da lógica das línguas “ocidentais” que tinha conhecido até agora. Mas como estou suando para aprender!
A expectativa era grande também pensando no percentual dos cristãos, claramente minoritários em um país majoritariamente islâmico, e com boa presença de religiões tradicionais africanas.


Qual a maior dificuldade que vocês missionários enfrentam no local onde trabalham?

As dificuldades foram muitas, principalmente o clima, com temperaturas que superam os 40°C em  alguns meses do ano, se tornando extremamente seco e empoeirado durante outros meses. A isso se soma a escassez dos serviços básicos como a distribuição da água, da energia elétrica, das estradas pavimentadas, os transportes públicos... Como disse, há também a dificuldade de aprender a língua. Também de conhecer a estrutura desta Igreja, que se organiza de forma original e diferente da de outros países que tinha conhecido. São dificuldades que, porém, fortifica o desejo de trabalhar juntos, para superá-las e poder dar junto a este povo uma vida melhor.


Quantos são e quais trabalhos estão realizando ou tem projeto de realizar?

Demos início à vida paroquial, com alguns lugares de culto, procurando reunir as numerosas forças dos leigos extremamente comprometidos que encontramos.
Estamos iniciando também as atividades de animação missionária em paróquias e escolas: já recebemos muitos pedidos e nos esforçaremos para atendê-los.
No campo do desenvolvimento humano e da sustentabilidade, financiamos a construção de um poço para utilização agrícola. Agora devemos começar uma escola de alfabetização para adultos. Enquanto isso, estamos avaliando as necessidades e desejos do povo, desejando tornar habitantes do lugar protagonistas deste desenvolvimento.


Quais as características do povo em relação a religião, fé, igreja?

Como normalmente acontece na África, o povo de Burkina é muito sensível à religião e ao relacionamento com Deus, único, criador do mundo. Isto podemos ver na fidelidade na oração. Por exemplo, a forma como os muçulmanos param todas as atividades no momento da oração e da mesma forma, também os cristãos param para rezar o ângelus. Numerosos são os fiéis que frequentam a missa cada manhã às 5:45 e a oração cotidiana do rosário (o terço) nas comunidades cristãs de base, durante os meses de maio e outubro.
A Igreja é normalmente chamada de “família de Deus”, porque nela se reúnem todos os crentes, em uma solidariedade que vai da fé em comum à ajuda recíproca nas dificuldades. Também a caridade é bem organizada no nível diocesano e nacional, distribuindo ajuda para os necessitados e organizando projetos de desenvolvimento.


O que eles esperam de vocês CMV?

A primeira necessidade, pelo menos entre os cristãos, é de ter acesso mais fácil aos sacramentos. Existem aldeias ou bairros que, por anos, viveram esperando a cada domingo a chegada de um padre para celebrar a missa para eles, porém, muitas vezes, tiveram que se contentar com a celebração da Palavra. Agora este desejo está se tornando realidade e não parece ainda verdade para mim! No começo do ano, na missa dominical na capela de Wapassy, distribuíamos cerca de 400 comunhões, agora estamos chegando a mil: a celebração da Eucaristia dá forças aos cristãos e os torna evangelizadores, convidando os menos convencidos a se unir à sua ação de graças a Deus.
Uma outra riqueza importante é da formação: conhecer a Palavra de Deus, conhecer como enfrentar os problemas da vida à luz do Evangelho.
Depois, tem a esperança que a Igreja mais organizada e unida possa se tornar ponto de referência também para o desenvolvimento social deste país tão pobre.

 

Quais os dons, as riquezas deste povo?

Burkina Faso significa “país dos homens íntegros”. É um povo com grande dignidade, que sabe extrair do deserto os meios de sobrevivência. São pessoas simples que não fazem dramas pela sua própria pobreza, trabalhadores, solidários, capazes de viver na penúria, mas também de festejar. É fácil se apaixonar por este povo.