Na noite da Sexta-Feira Santa no campo do Jardim Jacira foi oferecido ao povo da nossa paróquia, o teatro da paixão, que de teatro teve só teve o nome, porque na verdade foi uma experiência para compreender, saborear e deixar-se envolver pelo Amor.

Tudo começou com uma obra de arte, a criação, que o inimigo do homem e de Deus tentou e até hoje tenta destruir. E no meio de tantas trevas, uma voz, a do cego de Jericó, que conta a sua história...Desde sempre ia sem rumo, sem sentido, sem esperança, até que um dia um encontro mudou drasticamente a sua vida, curando a sua cegueira e fazendo nascer a esperança.

É o encontro com Cristo que doou à vista ao cego, é a paixão pelo homem que levou Jesus a enfrentar uma morte duríssima para todos, e é daquele madeiro que revelou indiscutivelmente a sua identidade, o seu Amor desde sempre e para sempre.

Quem tirará a nossa vergonha? Foram estas as palavras que ressoaram no meio desta dramatização; a vergonha do meu pecado, da minha pobreza tem uma saída que a morte de Jesus me revela, porque é na cruz que posso deixar a minha veste suja e receber a minha dignidade de filho querido, perdoado e amado assim como sou.

A chuva nos visitou, misturando-se à terra, formou-se uma lama que tornou mais difícil caminhar e seguir Jesus na Paixão, os guarda-chuvas que se abriram obstaculizaram a visão até o fundo daquele evento e o som, que em alguns momentos sumiu, parecia que quisesse tirar a atenção das pessoas do momento central da história da salvação. Mas tudo isso, muito mais que atrapalhar, tornou mais real e concreto o que estava sendo representado, falando muito além das palavras...

Que esta Páscoa possa ser para cada um encontro verdadeiro com Cristo, cuja vida e cuja morte anunciaram uma única verdade: “O amor é mais forte”.